E meu coração inquieto vagueia por recantos antigos tão conhecidos,tão saudosos...O cheiro da noite embriaga-me os sentidos, enquanto caminho por estradas de terra batida, ladeadas por vegetação rasteira. A luz fraca da lua clareia ao longe a velha casa e sua visão faz meu coração acelerar...Lugar querido, sonhado, carregado no coração! Corro! Minhas pernas cansadas parecem ter se tornado as perninhas de uma criança.Já não sinto dor alguma.Já não sinto o peso dos tempos sobre mim.Aspiro forte o cheiro da noite no lugar tão amado. Através dos vidros das janelas, a claridade das lamparinas de querosene me alcança e já sei de cor os cheiros e calores que sentirei ao abrir a porta e adentrar no único lugar onde continuarei me sentindo em casa. Abro o velho portão que bate às minhas costas,com o peso amarrado para mantê-lo sempre fechado. Fico parada, sorrindo e olhando tudo ao redor. Tudo continua igual...Posso ver o velho e grande forno de lenha e a sombra pequenina de uma mulher que retira de dentro dele enormes pães de milho e roscas de polvilho. Vejo o viveiro cheio de aves coloridas a um lado.Do outro, o quintal dos morangos que a mesma pequena mulher cuida com carinho. Revejo um enorme pé de girassol, também plantado por ela logo ali, ao lado do acanhado portão. Em frente, a parreira de uvas... Observo o poço e o chão de madeira da varanda. Percebo as duas portas. Uma que leva à cozinha, ao balde de água sempre fresquinha,às canecas dependuradas na parede. A outra, à sala de jantar com sua mesa enorme, onde um bule azul de esmalte serve o café quentinho. Sobre a mesa, os descansos de palha para receber as panelas com os alimentos quentes. Ouço a “reza” de antes e depois das refeições... Ah, doce arrebatamento! Abro os olhos e volto à realidade, deixando para traz o lugar do meu coração. O lugar, por onde somente meu espírito, ainda consegue caminhar! (Ivete – com os olhos marejados de lágrimas de saudade , gratidão e amor a ti minha pequena e intensa avó Adelaide- 13.08.2010)
sábado, agosto 14, 2010
Velhos Caminhos
E meu coração inquieto vagueia por recantos antigos tão conhecidos,tão saudosos...O cheiro da noite embriaga-me os sentidos, enquanto caminho por estradas de terra batida, ladeadas por vegetação rasteira. A luz fraca da lua clareia ao longe a velha casa e sua visão faz meu coração acelerar...Lugar querido, sonhado, carregado no coração! Corro! Minhas pernas cansadas parecem ter se tornado as perninhas de uma criança.Já não sinto dor alguma.Já não sinto o peso dos tempos sobre mim.Aspiro forte o cheiro da noite no lugar tão amado. Através dos vidros das janelas, a claridade das lamparinas de querosene me alcança e já sei de cor os cheiros e calores que sentirei ao abrir a porta e adentrar no único lugar onde continuarei me sentindo em casa. Abro o velho portão que bate às minhas costas,com o peso amarrado para mantê-lo sempre fechado. Fico parada, sorrindo e olhando tudo ao redor. Tudo continua igual...Posso ver o velho e grande forno de lenha e a sombra pequenina de uma mulher que retira de dentro dele enormes pães de milho e roscas de polvilho. Vejo o viveiro cheio de aves coloridas a um lado.Do outro, o quintal dos morangos que a mesma pequena mulher cuida com carinho. Revejo um enorme pé de girassol, também plantado por ela logo ali, ao lado do acanhado portão. Em frente, a parreira de uvas... Observo o poço e o chão de madeira da varanda. Percebo as duas portas. Uma que leva à cozinha, ao balde de água sempre fresquinha,às canecas dependuradas na parede. A outra, à sala de jantar com sua mesa enorme, onde um bule azul de esmalte serve o café quentinho. Sobre a mesa, os descansos de palha para receber as panelas com os alimentos quentes. Ouço a “reza” de antes e depois das refeições... Ah, doce arrebatamento! Abro os olhos e volto à realidade, deixando para traz o lugar do meu coração. O lugar, por onde somente meu espírito, ainda consegue caminhar! (Ivete – com os olhos marejados de lágrimas de saudade , gratidão e amor a ti minha pequena e intensa avó Adelaide- 13.08.2010)
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Anestesiar
quinta-feira, junho 11, 2009
Em Casa!
vista da Casa Paroquial e parte da igreja - tirada por mim
"em casa" - tirada pela Baloo
Música: Vangelis - Prelude
terça-feira, junho 12, 2007
12.06- SE...
Hoje meu pai faria 74 anos, se fosse vivo... Faz onze anos que morreu. Era muito cedo! Nós nos conhecemos muito pouco, demonstramos pouco amor um ao outro. Tivemos pouco tempo juntos. Apesar de que, lembro-me de alguns momentos que me marcaram profundamente. Um domingo, em que ele nos convidou para um passeio. Eu e a Inês aceitamos e fomos com ele assim mesmo como estávamos vestidas... Quando percebemos, estávamos em uma festa de igreja, em Bom Retiro. Foi uma tarde muito agradável e ao voltarmos para casa vínhamos cantando velhas canções caipiras. Na minha primeira visita à ele no hospital, depois que teve o primeiro derrame, senti-me muito inspirada a dar-lhe meu terço branco, de bolinhas de cristal. Estava envergonhada, mas acabei tendo coragem e rezei com ele o primeiro de muitos terços que ele rezaria naqueles seus últimos de vida. Nós nunca conseguimos ser pai e filha próximos, como acontece hoje em dia. Pelo contrário, ele não nos demonstrava amor e nós não sabíamos como buscar. ...Se ele fosse vivo hoje, será que seria diferente? A idade nos faz ver tudo de outra maneira: Perdemos a vergonha de muitas coisas, passamos a ter vergonha de outras que achávamos naturais, passamos a entender atitudes de outros, que antes nos pareciam totalmente erradas...Cobramos menos, nos tornamos mais compreensivos. ...Se meu pai ainda estivesse aqui, por certo ainda me irritaria com muitas atitudes dele, mas adoraria ouvir de novo a sua voz, sua risada. Ouvi-lo contando histórias de grandes personagens, de homens famosos, de grandes descobridores. Era, apesar de só ter o segundo ou terceiro ano primário, um homem de grandes conhecimentos, de muitas leituras. ...Se meu pai ainda estivesse aqui, certamente eu cobraria dele coisas que fez no passado, erros que cometeu , carinho que não me deu. Mas também, certamente, iria pedir seus conselhos em muitos momentos, cantar com ele enquanto tocasse seu violão, cavaquinho, pandeiro ou acordeom... Mas, como ele mesmo me disse uma vez, “SE” não existe. O que aconteceu, aconteceu e nada poderá mudar isto. Só cabe a nós aceitar, recordar e seguir em frente. Mesmo assim não posso deixar de dizer: