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quinta-feira, março 18, 2010

Tormentas

(foto tirada por mim: Fim de Tarde)
Tal qual a águia, no alto da montanha
Olho em volta à procura do infinito
Igual criança, que maltratada apanha
Minh’alma dilacera-se num grito!
***
E a alva da manhã me encontra ainda
Ungida de espera que não morre
Percebo, já quando a tarde finda
Que nada mais, minha esperança socorre!
***
Vem Zéfiro embalar-me, em cálida brisa
Tristeza,empurrada assim desliza,
Mas Eurus troveja sua sanha
E nova procela me arrebanha.
***
Logo vem a chuva das lamúrias(lágrimas)
Banhando suavemente minha alma
Mas quando penso que, enfim
Encontrei, a aguardada calma
Depressa Boreas sopra suas fúrias
Causando novamente frio em mim!
(Ivete kg.24.02.2010

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Mutações

( foto tirada por mim- Rio do Sul SC)

De soberana, a coroa largou

Nalgum canto, que um dia passou!

Da abelha, o mel se perdeu

E da voz, a cantiga emudeceu!

***

Num raso divã se foi ajuizar

Quem sabe outro eu é preciso encontrar

Mas Bóreas, veloz, pra outro lado arrastou

Girando,cantando sem nunca cansar!

***

Da Divindade, tornou-se esquecida

Inda assim, a luz não se abrandou

E confiando habitar nova vida

Distintas paragens, por fim cativou!

( autoria Ivete kg - 13.01.2010)

quarta-feira, setembro 30, 2009

Revelações

foto tirada por mim- Ituporanga SC
Das perguntas,
Que me surgem das tristezas,
E que tento
Transformá-las em beleza,
Vou às vezes te fazendo,
À queima roupa
E deixam este amargo em minha boca !
De palavras que evito proferir
Não me sinto no direito de exigir
Pois és Tu ,Criador
Quem tudo sabes
Conheces a obra que entalhas
Tantas vezes com cortes de navalhas
Que vão cortando a carne
Tirando imperfeições ,
Talhando o molde
E um dia, a beleza toda explode
Àqueles olhos que se querem saciar
Aos espíritos que buscam,
Talvez aflitos
Como eu, respostas que não vem.
No tempo certo é que lhes será revelada
Verdade tanto tempo escondida, disfarçada!
(Ivete -30.11.2008)

terça-feira, setembro 01, 2009

Impulsos

O vento que se balança
Movendo-se na contradança
Sorri, num vórtice perfeito!
De novo o meu coração
Num impulso leve e são
Contente pula no peito.
Vertigem que experimento
Expresso meu sentimento
Das marcas que deixa a vida
Cicatrizando a ferida
Feita a corte de navalha
Que a mente agora baralha!
Não vou dizer nenhum nome
Que aquilo que a terra come
Um dia o mundo esquece
As dores que se padece
Sorrisos que estão na cara
Do espírito, jóia rara
Que aos poucos se foi moldando
E esta fica mesmo quando
Também a terra fenece!
(escrito por Ivetekg
em 10.08.2009)

domingo, junho 14, 2009

Fadário

foto tirada por mim
Nunca quis de ninguém por mim, aflição
Quero muito mais que isto, soluciona
Sou exigente, eu quero amor e paixão
Paixão desmedida que nada questiona
Amor que me aceita como sou, desajeitada
Se paixão ou loucura, ilusão ou serenidade
Quero assim mesmo ser desejada
E respeitada na minha unicidade
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Seja eu para ti bela ou feia
Não posso saber da visão alheia
Mas posso amar plena de intensidade
E em tal proporção busco reciprocidade
É algo assim o que tens pra me dar?
Senão o teu peito, já podes calar
Eu sou egoísta, bruxa, equilibrista
Talvez masoquista ou quem sabe? Uma artista,
Aspirante à fadista?
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Se eu canto ou se falo do meu sofrimento
Sinto saudade, amores perdidos lamento
Tragédias, desgraças, destino e amor
Palavras tantas que traduzem a dor
Ciúmes, tormentos e noites sombrias
Passado e presente, da vida a mistura
Se falo de tudo o que achei que havia
De tudo provei na minha procura
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Foi aqui que encontrei a minha essência
Talvez o motivo da minha existência
No fado traduzo o sentir que me cabe
E assim vou seguir até que tudo se acabe
(Ivete - 24.04.2009)
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Música:
Quando Agente Ama
( Osvaldo Montenegro)

quinta-feira, abril 24, 2008

MEU MÊS

Neste mês de abril tenho sempre muitas coisas para comemorar... Aniversário de casamento (28 anos), aniversário de nascimento (47 anos) e aniversário de liberdade ( 04 anos sem emprego). Tudo numa seqüência! Costumo brincar que, para que nunca esqueçam as “minhas datas”, só falta eu morrer no dia quinze. E pronto, ficaria definitivamente sendo o meu mês he,he. Mas, brincadeiras à parte, depois de vinte e quatro anos trabalhando em banco e mais outros tantos em profissões diversas, há quatro anos atrás fiz acordo, saí do emprego... Fiquei em casa e pela primeira vez na vida passei a fazer outras coisas que não trabalhar. É claro que tenho muitas ocupações, como sempre tive pela vida afora. Ainda me mantenho num grupo de canto, que coordeno há uns oito anos, faço o trabalho de casa (que nunca é pouco), desempenho o papel de síndico do meu edifício ( e são muitas as coisas que é preciso atender neste ofício)... E por aí afora. Nunca entendi como as pessoas podem falar que ficam sem nada para fazer. Há tantas atividades... Faço academia, pratico violão, blogo, pesquiso, sou secretária em tempo integral (marcar médicos, dentistas, fazer seguro de carro, ou qualquer coisa que tenha que ser feita em horário comercial...) e venho tentando escrever um livro, que é a saga de uma família. Será pouco? Desde que saí do banco, poucas vezes lá retornei, pois nos últimos oito anos, trabalhava numa cidade próxima daqui. Hoje fui lá. Abracei com muito carinho o único colega que resta daqueles tempos, o meu grande amigo “purtuguêx” como sempre o chamei. E olhando aquelas paredes que me abrigaram por tantas horas, que viram tantas coisas que lá se passaram, pela primeira vez experimentei certa nostalgia... Mas tudo não passou de um pequeno momento e a vida é pra frente. Ano que vem finalmente me aposento (31 anos de contribuição e 48 de idade) , volto a ter minha renda própria. Isto, sem dúvida, também fará diferença na minha vida. Quem sabe aí finalmente não faço uma daquelas tão sonhadas viagens internacionais? Vai ser muito bom!
E talvez alguém de vocês diga: _Mas nossa, quanta euforia!... E eu respondo: _ Mero disfarce minha gente. Preciso de arranjar maneiras para me animar e arrancar umas dores que me incomodam...

quinta-feira, abril 17, 2008

VENCIDA!

Enquanto os lutadores escrevem a sua expectativa de mudanças, a sua busca de conscientização do ser humano, a necessidade da luta...Eu fico aqui. Entrando em mim! Até gostaria de também ter outras ferramentas, ser forte! Lutadora! Pensadora mais além! Buscando gritar , denunciar as injustiças, a falta de fraternidade! Mas, só consigo escrever do que me vai na alma. Só consigo sentir o que eu sinto, o que eu vivo. Não sei sentir sem ter vivido. Só aprendo com os sofrimentos dos outros, a me reservar. A não correr os mesmos riscos. Tenho medo. Sou covarde. Sem buscar já sofri tanto... Fecho-me em mim mesma. Fujo! Não quero lutar, mas a vida não me convida: Me arrasta, me leva de rolo. E eu vou. Reagindo, chorando, tentando escapar, mas ela não me dá trégua. Me faz viver o que não quero. Nunca me deu o que eu pedi. ”Se tenho medo... Me sobrevém. Se fujo... Me persegue!”. Enfim paro e me entrego vencida. Ela me acorda, me faz reagir, me obriga a caminhar. Torno-me forte na fraqueza. Rujo como o leão ferido! Corro com pernas doloridas. Luto as lutas que não busquei. Presenteiam-me com ataduras, com pesadas algemas. Preciso fazer delas a roupa que me cobre, transformá-la em algo mais belo aos olhos que a vêem. As algemas, disfarço-as de belos braceletes. E vou vivendo...Mas ninguém olha nos meus olhos e descobre a minha alma. Ela está sempre fluindo, esperando que alguém lhe preste atenção mandando todos os tipos de S.O.S...Que ninguém jamais encontra! Sinto-me em criança. Lá já existiam algumas algemas...Que até hoje não foram abertas!