sábado, agosto 14, 2010

Velhos Caminhos


( a única foto que tenho dela,
mas a imagem mais perfeita está na minha memória.)

Anoitece novamente...

E meu coração inquieto vagueia por recantos antigos tão conhecidos,tão saudosos...O cheiro da noite embriaga-me os sentidos, enquanto caminho por estradas de terra batida, ladeadas por vegetação rasteira. A luz fraca da lua clareia ao longe a velha casa e sua visão faz meu coração acelerar...Lugar querido, sonhado, carregado no coração! Corro! Minhas pernas cansadas parecem ter se tornado as perninhas de uma criança.Já não sinto dor alguma.Já não sinto o peso dos tempos sobre mim.Aspiro forte o cheiro da noite no lugar tão amado. Através dos vidros das janelas, a claridade das lamparinas de querosene me alcança e já sei de cor os cheiros e calores que sentirei ao abrir a porta e adentrar no único lugar onde continuarei me sentindo em casa. Abro o velho portão que bate às minhas costas,com o peso amarrado para mantê-lo sempre fechado. Fico parada, sorrindo e olhando tudo ao redor. Tudo continua igual...Posso ver o velho e grande forno de lenha e a sombra pequenina de uma mulher que retira de dentro dele enormes pães de milho e roscas de polvilho. Vejo o viveiro cheio de aves coloridas a um lado.Do outro, o quintal dos morangos que a mesma pequena mulher cuida com carinho. Revejo um enorme pé de girassol, também plantado por ela logo ali, ao lado do acanhado portão. Em frente, a parreira de uvas... Observo o poço e o chão de madeira da varanda. Percebo as duas portas. Uma que leva à cozinha, ao balde de água sempre fresquinha,às canecas dependuradas na parede. A outra, à sala de jantar com sua mesa enorme, onde um bule azul de esmalte serve o café quentinho. Sobre a mesa, os descansos de palha para receber as panelas com os alimentos quentes. Ouço a “reza” de antes e depois das refeições... Ah, doce arrebatamento! Abro os olhos e volto à realidade, deixando para traz o lugar do meu coração. O lugar, por onde somente meu espírito, ainda consegue caminhar! (Ivete – com os olhos marejados de lágrimas de saudade , gratidão e amor a ti minha pequena e intensa avó Adelaide- 13.08.2010)

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