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terça-feira, agosto 17, 2010

Torrentes

foto tirada por mim

Arrastada por impetuosas correntezas
Sentiu-se incapaz de criar raízes...
Induzida à mudanças e incertezas
Olvidou da vida, as horas felizes!

Carregou fardos que julgava demasiados.
Forçosa procura de volta a passados
Lá atrás, já nada podia encontrar
Tudo que fôra, vira desmoronar!

Ventos sopraram levando pra além
Os risos de infância,pulcros,inocentes
Buscando, não deparou com ninguém
Sentiu que no âmago tornou-se indigente!

Deixou-se levar por estranhas forças
Que a desviavam,fazendo-lhe troças
A mundos estranhos,distantes,sombrios
Apostavam afogá-la, nas águas,nos rios.

Rios caudalosos,barrentos,astutos
Com brilhos e tons de fugaz ilusão
Um pote de ouro turvando a visão
O imo partido,de amarguras e lutos

Será que a cura ainda é capaz?
Se tudo na vida é fumaça,fugaz
Até ao desgosto é chegado o arremate
Finalmente alívio,cessa o combate.

Mas brilho de risos e coração leve
Apego profundo, aspirar não deve
Aquela, a quem , a alegria renegou
Na morte, regozijo, por fim encontrou!
(autora Ivete -25.07.2010)

segunda-feira, agosto 27, 2007

SONO

Deitei-me sobre o lado esquerdo, como sempre... A textura suave dos lençóis e a maciez do travesseiro envolveram-me. Aos poucos o corpo foi sendo aquecido pelo cobertor macio e cheiroso até atingir uma temperatura confortável e completamente agradável. Foi então que começaram os flashs... Cenas, sons, cheiros, vozes e sensações do meu passado retornando á mente sem nenhum controle. Como cenas de um filme, que vão e voltam... Entrego-me nessa viajem mental. Deixo que me transporte para onde queira, sem que eu precise fazer esforço algum. Cenas lindas de infância, pessoas que já não vivem , lugares que já não existem como os conheci, pois foram completamente transformados pela ação do homem, pelo progresso. Deixo-me ficar ali, neste mundo passado, cheio de doces recordações. Passeio nele com meu espírito, como reles espectadora. E então começo a sentir a “presença”. Forte, mas extremamente suave, doce, quente e acolhedora.Ela me toca, me abraça, me acaricia suavemente. Aconchego-me a ela e vou deslizando calma e seguramente para uma letargia que se vai apoderando gradativamente do meu corpo, da minha mente. Desligo. Adormeço. E o sono é profundo, relaxante...