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terça-feira, outubro 26, 2010

Miragens



         (Foto tirada por Miguel Guilherme-
gentilmente cedida para esta publicação)

                                                 
         Morrem em nós personagens
Antigos.
E novos personagens vão nascendo.

Sementes trazidas!
Não se sabe de onde
Nem por quem...

E esses novos seres em nós
Ocupam todos os antigos espaços.
E até mesmo lugares inexistentes
São forçados a aparecer,
Para que reinem majestosos,
 Espaçosos...
Opressores!
Ou cheios de tirana liberdade!

Tão livres que incomodam
Em nós os seres morrentes,
Que parecem não querer deixar
O seu lugar!

E neste entra e sai,
Nasce e morre,
Pode ser que nosso corpo não resista e adoeça!
Ou a mente é que fica doente,
Da necessidade pungente de uma alma livre,
Que não sabe se libertar...

Oprimida,cansada
Vai buscando armas.
Armas sutis,
Que façam desaparecer de vez
Os que precisam morrer...
Armas de luz,
Que ajudem no parto dos seres da liberdade!

E brilha enfim a força
E desabrocha o ser!
(Ivete kg 19/10/2010)


domingo, setembro 13, 2009

O Louco

(O Pai e a Filha - desenho feito pela minha neta preferida( a única))
Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós . (Kahlil Gibran)