terça-feira, novembro 16, 2010

Sabor da Terra

Estranha a energia que busquei naquela terra por onde, 
Pés no chão e cabeça ao sol,
Corri na minha infância,
Entre as mais pura liberdade e a terrível opressão.
Onde experimentei a mais absoluta felicidade
E um misto de mêdo e começo de solidão.
Onde a inocência corria livre nas veias.


















foto tirada por mim

Percebi-me à noite,
Lânguida e semi-nua,
Ainda com os restos de folhas e de terra.
Ainda com o calor do sol e a força do vento.
Percebi-me, em pétalas de rosas e camélias,
Exalando perfumes de jasmins e damas-da-noite.
Na bôca, os doces sabores de frutas e melado de cana.
As frutas tantas das estações em  que lá estive
Entre cores de uvas, marmelos, pêras, caquis e tarumãs.
Pescando nas águas frias do riacho
Ou correndo sobre as toiças molhadas do capim.
E esta nova, antiga, ancestral energia,
Que desprendeu-se dos seres amados,
Finados, absorvidos pela terra ,
Me foi devolvida por ela.
Respiro de novo!
E corro, agora, pra vida!
(Ivete 03.11.2010)


foto tirada por mim
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