domingo, novembro 05, 2006

OS BONS TEMPOS!

A maioria das pessoas se refere ao tempo da sua infância e mocidade, repetindo a velha máxima: “Aquele tempo é que era bom!” Eu, como a maioria delas, também muitas vezes já repeti a célebre frase... No entanto, no decorrer da minha vida, consegui começar a dar valor também ao presente e imaginar o bom tempo do futuro. Aos poucos, comecei a perceber que os tempos da minha infância foram muito bons, em termos de inocência. A grande maioria da massa, as crianças, as mulheres, os interioranos, os desinformados, eram muito mais inocentes e dentro desta inocência, mais felizes. No entanto, naquela mesma época convivíamos ainda mais com o “Fantasma da falta de informação”, o fantasma dos trabalhos pesados, pois não existiam máquinas como hoje em dia para a maioria dos trabalhos. O trabalho pesado era muito mais a força física. O homem no campo corria o dia inteiro atrás de um pesado arado puxado por um boi ou cavalo. Hoje, o trator faz o trabalho. O cabo da enxada era muito mais constante e habitual do que nos nossos dias. As mulheres lavavam a roupa da casa no muque. Hoje, a maioria tem máquina de lavar. Na minha infância, nem toda casa tinha rádio e a televisão mal começava a chegar ao Brasil. As cartas custavam semanas, às vezes meses á chegar. O telefone era coisa de além mundo... Na minha adolescência: “Bons tempos aqueles?”... Ainda se vivia uma Ditadura Militar, a Guerra Fria, A Repressão... Repressão de tudo... Ouvia-se que pelo mundo, os jovens gritavam: “‘Faça amor, não faça guerra”. Ouvia-se: “Paz e Amor!!”. Ouvia-se: “Sexo livre“... E a cabeça dos jovens interioranos, desinformados, reprimidos, com pouca ou nenhuma cultura, não entendiam bem aquelas frases, mas também eram jovens e também queriam viver o sentido de tudo aquilo, mesmo sem entender... E botavam os pés pelas mãos. E desgraçavam as vidas. E começavam a encontrar-se com as drogas. E afrontavam seus pais. E começavam a se rebelar contra tudo. E as meninas engravidavam sem saber bem como, e muito menos como evitar... Esse foi o “bom tempo” da minha adolescência. E foi realmente muito bom, apesar de tudo isto, pois as pessoas começavam a acordar. Aos poucos, iam acordando, se informando, aprendendo. Aos tropeções, em cima do sofrimento de muitos, aos trancos e barrancos, descobriam que além dos deveres, tinham também direitos. E que podiam e deviam lutar por eles. E lutavam. E tentavam um mundo melhor. E esse mundo melhor chegou. E é o tempo de agora. Um tempo onde as cartas para muitos se tornaram desnecessárias, pois pela Internet falamos “on-line” com o outro lado do mundo. Já não precisamos nos preocupar se o outro demora a chegar em casa, a menos que ele desligue o celular, ou dê fora de área. As pessoas viajam de um continente para o outro, para trabalhar ou para se divertir como se fosse para a cidade mais próxima. A televisão nos informa “ao vivo”, dos últimos acontecimentos do outro lado do planeta. O sexo é livre, é opcional. A maioria das pessoas sabe dos seus direitos, não só dos seus deveres, mas apesar de tudo isto, toda cultura, informação, possibilidades mil, continuamos convivendo com muitos fantasmas. O fantasma da fome de pão para milhares e milhares de pessoas pelo mundo afora. O fantasma da paz, para centenas de países. O fantasma da falta de cultura, para milhares de pessoas em centenas de países. Convivemos com fantasmas dos mais diversos, pelos quatro cantos do planeta. Convivemos com o fantasma demônio das drogas, das doenças fatais para as quais a ciência “não encontrou a cura”. Convivemos com a falta de caridade para com o nosso próximo, com a falta de amor até por nós mesmos. Com a falta de paciência, com a falta de vergonha na cara dos políticos do mundo inteiro, sempre manipulando as massas, explorando os pequenos, forjando as guerras. Convivemos com a falta da fé “em Deus”. Buscamos muitos paliativos para os nossos males, mas temos vergonha de pedir a Deus e buscar n’Ele a verdadeira cura. Mas eu acredito nos: “Aqueles tempos é que eram bons”, em todas as épocas, porque em todas elas, de alguma forma evoluímos. E por isso acredito também que o tempo de hoje, tem muito mais bem do que mal. Apesar de todos os fantasmas... É só saber usar o que temos á nossa disposição e agradecer a Deus por todos os avanços que a humanidade já fez ao longo dos séculos. E amar! E procurar aprender sempre mais. E cada um fazer a sua parte. E ser “homens e mulheres de boa vontade”. E acreditar que com isso, no futuro também vamos dizer: “Estes é que verdadeiramente, são bons tempos”
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