terça-feira, junho 28, 2011

Momentos



Fechou aos poucos as janelas, antes ainda do anoitecer...
Temia que o sereno suave da noite a inundasse
De alguma réstia de Esperança!
Vagou por entre os cômodos vazio
Olhando vez ou outra pelas janelas,
Onde ao longe uma névoa fina ia encobrindo
As coisas que lá estavam: casas, árvores, prédios...
Agora tinham aquele leve toque irreal,
Como se fossem desaparecer por completo,
Engolidos não só pela noite que se aproximava,
Mas por um outro mundo feito de fumaça branca,
Neblina úmida, orvalho doce que teimava
Em enfeitar no seu disfarce de malícia,
Deixando que se pensasse que era algo puro
Aos olhares mais ingênuos.
As luzes da cidade iam aos poucos se acendendo
E emprestavam ao mundo ao redor
Uma claridade amarelada.
Fechou as cortinas decididamente
E fingiu esquecer a imagem lá fora.
Agora, cá dentro, só havia lugar para o real!
Concentrou-se no aqui e agora,
Tentando aprender da implacável
Mestra desilusão, que não é admissível tardança.
É preciso viver sem fantasias
Ou sonhos! Apenas a vida em fatias,
Que o tempo passa, inexorável
E faz da realidade, a ocasião.( Ivete 28.06.2011)
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