segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Ansiedade

foto tirada por mim: Vale do Quilombo - Canela RS
Sabe aquela hora em que a gente não sabe mais o que quer? Quer dizer: saber, até sabe, mas já não vê maneiras de extravasar? Prefere calar-se a não ter que dizer sempre as mesmas coisas e acaba fazendo de conta que já não sabe, não sente, não entende? E nestas horas sentimos uma sensação de imensa inutilidade, uma angústia que parece estender-se desde a ponta dos cabelos até o dedão do pé. Uma vontade de sair por aí caminhando feito o Forrest Gamp, sem ouvir ninguém, sem falar com ninguém, apenas numa fúria louca de caminhar e caminhar até gastar toda energia negativa que esteja concentrada em nós e reste somente a vontade de sorrir e de se deliciar com o que estiver em volta. Os sapatos e roupas já rotos, que de nada servem senão para impedir que os pés se machuquem e o corpo sinta frio... Quem se importa se alguém os ache feios ou bonitos, se vestem bem um corpo que deve ser valorizado por ele mesmo e não pelos trapos que o cobrem? Quem se importa se os cabelos estão desfeitos? Quem se importa de não estar parecendo nenhuma grande dama, mas simplesmente um moleque que saiu por aí descobrindo o mundo com tudo o que ele tem de melhor e esquecendo-se de que também a maldade, a ignorancia, a falta de amor vivem nele? E então, no meio da caminhada louca, lá encontramos exatamente aquilo( ou aquele) que estávamos buscando, quer dizer, não bem isto, porque naquele momento percebemos que tudo o que queremos, sem nem precisar de espelhos, é um bom banho, umas roupas bonitas, um belo sapato de saltos altos, um cabeleireiro, uma manicure... Porque chegou a coisa certa, na hora errada. Aliás, como sempre... Ou será que é a coisa errada na hora certa? Bah! Já nem sei! Só sei que tudo fica parecendo fora do contexto e mais uma vez é aquela mesma hora. Aquela, em que a gente já não sabe mais o que quer, ou, se sabe, prefere calar...(22.02.2010)
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