quinta-feira, novembro 09, 2006

AINDA ALGEMADA!

Ela olhava mais uma vez para aquelas correntes que a mantinham prisioneira. Ela as puxava para um lado, arrastava-os para o outro, mas não conseguia livrar-se delas. Eram duras e pesadas correntes, presas á seus pés e mãos, cada uma contendo nas pontas um pesado lastro que tentava paralisá-la. Desde a sua infância que as carregava. Já tentara livrar-se delas de muitas maneiras, mas não conseguia romper as algemas que as mantinham ali. Ela sabia que uma geração inteira fora acorrentada. Muitos não deram importância, tornaram-se indolentes... Muitos conseguiram rompê-la. Outros, a deixaram ali, mas tornaram-se fortes com o exercício de carregá-las para todo lado... Alimentando-se bem e usando-as como uma academia forçada. Ela também tentava num esforço desesperado, fazer esse exercício, mas o alimento que recebera na sua infância e juventude não fora bastante forte para manter seu corpo e seu espírito com forças para essa penosa tarefa. Ela debatia-se e queria a qualquer custo romper as algemas... Queria sentir-se livre! Poder andar de peito aberto, cabeça erguida... Queria sentir-se um ser completo. Buscava em todo canto, coisas ou pessoas, histórias, tristezas ou alegrias que lhe pudessem livrar daquele fardo. Olhava para as pessoas, ouvia-as tentando perceber se estavam algemadas ou não, tentando aprender com aquelas que estavam livres, a conquistar também sua liberdade.
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